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Sauatá
Sauatá sair ao atá sair à toa catando sonhos nos mangais da vida entre Iaras e Boiúnas cancerosas entre botos e guarás intoxicados.
Sair à toa sauatá sair ao atá respirando a essência verdenvenenada que aflora da flora deflorada pelos incêndios e naufrágios do meu chão.
Pobre de mim, meu mano, que ainda teimo em defender meu chão trazendo apenas o coração, a voz e as mãos vazias.
Pobre de ti, meu mano, que transformas o verbo em foice para abrir caminhos entre as balas do ódio e a mais-valia.
Pobre de vós, tiranos, que julgais matar o sonho - esse Angelin frondoso! cortando um frágil ramo sonhador.
Pobre de nós, humanos, que deitamos veneno em nossos rios, em nossas almas e incendiamos nosso próprio chão.
Antônio Juraci Siqueira, O Filho do Boto poeta paraense
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